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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ENTREVISTA COM TÚLIO RÉGIS - EX-OFICINA G3


Esta entrevista foi postada em 17 de Abril de 2008 no Blog do Mukamatrix: http://mukamatrix-cd.blogspot.com


Um dia desses navegando pela net, fiz amizade com alguém que sempre foi referência para mim no que diz respeito ao estilo de composição e atitude. Logo que comecei a teclar com ele, Túlio Régis, descobri que se tratava de um cara gentil e super espiritual sem ser chato, é claro. Sabe aquela sensação de ser amigo de infância de alguém que a gente acaba de conhecer?

Os anos se passaram e depois de compartilhar todo o processo de gravação e lançamento de seu cd, participei contribuindo com minhas orações e opiniões em todo desenrrolar dessa empreitada.
Hoje, após o lançamento, consigo ver um cara que já partilhou do sucesso de ser fundador da maior banda de rock gospel do Brasil e ao mesmo tempo guardar a humildade de um verdadeiro servo de Deus.
A geração jovem atual, que está se acostumando a consumir de Cassianes à Funk do Créu gospel, devia escutar suas músicas, conferir seu cd e entender que a música gospel rola muito além disso.
Deu trabalho de arrumar essa entrevista, primeiro que o cara prometeu mais de mil vezes me devolver as perguntas respondidas, mas a espera valeu a pena.
Nas linhas das suas respostas, ele demonstra ainda um grande amor a obra de Deus e ao Deus da obra.
Traz à tona histórias da fundação da Oficina, a polêmica com a Gospel Records, uma pitada da boa loucura e fala sobre um tal de Neo-Praise.
Valeu Túlião, espero que a gente se encontre um dia por ai.
Você com seu Neo-praise e eu com o meu Reggae!





















Mukamatrix-Antes de qualquer coisa, gostaria de saber como foi sua a conversão. Como você encontrou a Deus?

Túlio Régis- Bom Muka, me converti em uma casa de recuperação chamada SENOBAM, de Brasília, na sua filial em São Paulo, nunca havia visto crentes daquele jeito, aliás, não gostava de crentes, os achava antipáticos e sem graça. Na verdade quando vi a chegada de uns caras perto da turma que tínhamos os achamos gente muito agradável, um pessoal cabeludo (muito diferente para época, e a princípio.. alias, depois de os conhecerem. Conhecemos o Tio Cássio que era de uma igreja revolucionária dos anos 70, onde verdadeiramente o movimento com jovens no Brasil começou. Lá conheci o Manga (Luciano) e o pessoal, éramos o Cristo Salva e ficamos conhecidos pelas reuniões evangelísticas que fazíamos com o pessoal sentado no chão e só pessoas digamos “underground" que participavam dessas reuniões. Tanto que fizemos um casamento de hippies evangélicos, isto foi um assunto nacional quando aconteceu.




Mukamatrix- Você foi um dos fundadores da maior banda de rock gospel do Brasil, a oficina g3. Conte-nos como foi no começo, o que motivou a criação da banda. Quem foram os fundadores, como foram os primeiros shows. Conte-nos tudo e não esconda nada.

Túlio Régis- Havia uma banda da igreja que se chamava Cristo Salva, ela era que tocava na “igreja” em uma reunião de segunda feira que ficou muito famosa, chamei o Valter, que trabalhava no mac’Donalds (Muk- deve ter dado um prejuizão por lá) para tocar com a gente, o manga chamou o Juninho, com cara de CDF (!!) óculos quadrados de grau, alias, quando fez o teste, ele arrasou! Rs! E era muito diferente de tudo, ao tempo, as coisas foram mudando um pouco, e com o tempo ficamos com o sentimento de fazer algo mais evangelístico, conversávamos entre nós, e em um dia num bate papo entre o Valter, o Juninho e o Maradona me disseram se toparia fazer uma banda assim, e disse que sem o Manga não teria graça, e todos nos ajuntamos e conversamos sobre; e deste pessoal surgiu o Oficina G3; o manga teria muita dificuldade para participar porque a igreja não nos apoiaria, principalmente porque a visão da igreja estava mudando, uma visão mais “portuguesa” e não era nossa cara
. Tivemos uma experiência super interessante. Nunca pensamos em sair do Tio Cássio ou Cristo Salva, mas como tudo estava tão diferente, não havia espaço para nós, e fizemos uma prova com o Senhor se devíamos ficar ou não: que algo nos confirmasse se devíamos sair, mas algo Dele mesmo. O impressionante é que quando estava tendo um evento em um ginásio desta igreja portuguesa que se aliava com o Cristo Salva, todos, cada um em um espaço diferente, cumprimentávamos as pessoas com um “Oi”... Mas por uma razão que não conseguíamos explicar, sentíamos o contrario: “Adeus!”, comentamos um com os outros e ficamos impressionados! E vimos nisto o sinal de sairmos. Começamos a ensaiar em um escritório, do saxofonista que tocava na igreja e estava com a gente, muito amigo nosso, estávamos muito mal financeiramente, todos, o manga, Valter não tinham nada para comer em casa para as esposas e filhos, eu com problemas com a noiva numa situação extrema. Em um dos ensaios, paramos porque não tínhamos forças, e o manga disse para orarmos. Eu tomei a frente e comecei a orar. Quase sem forças as palavras não vinham, mas de repente, surgiu uma força impressionante em nós e o Senhor nos tomou na oração, nos inspirando e comecei o orar: “Deus! Nos abençoe quando estivermos tocando no ginásio do Ibirapuera, no estádio do Canindé, e no Dama Xoc também, Senhor, fica conosco e muito obrigado pelas portas abertas!” todos olharam para trás e disseram: esse está ficando doido.. Passado uns dez dias, neste ínterim um publicitário chamado Abud e um tal de Estevan Hernandes nos convidaram para tocar em um evento numa casa de shows muito conhecida que se chamava “Dama Xoc”. Na primeira vez tocamos com o nome de Cristo Salva, foi um arraso, mas estávamos nos desligando totalmente já e na segunda vez, quando nos convidaram pela segunda vez, não queríamos estar com este nome e conversávamos qual seria o nome. De tudo surgiu o G3, porque havia três bandas no Cristo Salva, o G1: a banda da igreja , o G2: o Estação Céu, uma banda estilo Paralamas Do Sucesso, e o G3, os dissidentes que queriam fazer algo mais evangelístico e conservar a cara da igreja como mais de jovens, mas só G3? Perguntavam? O publicitário deu uma idéia de colocar “Oficina”... Perguntamos: por quê? A idéia de quem escutasse as musicas, como um carro entra em uma oficina é consertado e sai novinho, quem escutasse a banda receberia esta nova vida... E todos disseram: ok! É isto! E naquela segunda vez que tocamos estreamos o nome Oficina G3, foi um absurdo: estava completamente tomado o lugar, os jornais da época fizeram a cobertura e daí tudo começou a estourar fantasticamente... Assim surgiu a banda. Qualquer outra versão é pura especulação e não condiz com a verdade.





Mukamatrix-Você foi criador de clássicos como Naves Imperiais, Sem Jesus você pirou, Comunicação. Nelas você pode notar uma clara semelhança com o estilo de Janires de compor. Letras extremamente contextualizadas, com um forte conteúdo evangelístico. Você conheceu Janires? Ele de alguma forma lhe influenciou?

Túlio Régis - Na verdade não, ele é o meu pai na fé, que falou do AMADO para mim, ele e o Mike, mas minha inspiração sempre foi outra cara, ROCK, HARD ROCK, HEAVY METAL, POP também (michael W. Smith e outros)e pitada de Funk.. foram minha cara; de poesia sempre fiz algo bem subjetivo, como por exemplo COMUNICAÇÃO, com o tempo fui questionando esta linguagem e tornando mais pessoal minha expressão nas letras e algo mais “coiné”, rssss.....

Mukamatrix- Hoje em dia não se fazem mais músicas com nessa pegada e com esse apelo.

Túlio Régis- Simples: hoje a noiva é mais periférica com relação ao noivo. Digo: infelizmente por causa do “business” que introduziram neste mover, nos dias de hoje a noiva não ama mais o Noivo: ela GOSTA DELE. Os ministros e músicos de hoje pertencem a uma igreja e infelizmente não freqüentam a mesma... Tem pastor, mas não são pastoreados, dizem que tem cobertura espiritual mas não se submetem a ela ... Infelizmente Jesus Cristo hoje não é mais a temática das letras muito menos a síntese: o AMADO, Jesus Cristo é um coadjuvante do contexto; veja as letras hoje: falam de vitória, falam de conquista, falam de coragem e comunhão, falam mesmo de DEUS, mas, não falam mais do NOME DE JESUS CRISTO, por quê? Simples... “A boca fala do que está cheio o coração”; aliás, no nome de Jesus é que habita autoridade e poder, como em sua pessoa; e por uma razão inexplicável ou... Explicável os letristas hoje parecem que estão pouco preocupados com isto ou tem vergonha de algo... O que será?

Mukamatrix - Comparando o momento do início da música dita gospel, com Oficina, Kats, Resgate, Rebanhão, Fruto Sagrado e o atual momento. Você acha que o rock-gospel morreu, que não existe novidade no estilo? E se existe quem pra você são as revelações?

Túlio Régis- Sim, morreu sim, porque a igreja envelheceu, os jovens ficaram mais superficiais e não tem mais a gana e fome de antes; os líderes hoje querem ser jovens ainda e não dão espaço para os jovens, dizem que o jovem é irresponsável (isto é uma total falta de um espírito empreendedor, de amor e habilidade), Acham que rock foi algo de momento e que adoração é algo “mais espiritual”; o rock dentro das igrejas se tornou de novo bastardo dentro das igrejas, os jovens não dão dinheiro e o negocio é fazer reunião de prosperidade e pregar nos lugares onde se tem um publico de maior poder aquisitivo... Revelações? Revelação são os corajosos jovens que vestem suas guitarras e empunham suas baquetas em suas garagens, e em suas orações o pedido de portas abertas para adorar e conquistar espaço, o espaço desta nova geração apaixonada por um Deus com nome!

Mukamatrix- Como foi a relação da Oficina no começo com a Gospel Records? Você acompanhou a saída deles de lá. O pau realmente quebrou com os Bispos?

Túlio Régis- Foi muito boa! Aliás o Oficina G3 era a banda que mais vendia, nos deram um contrato animalesco contra a gente e assinamos, inocentes, acreditando “no dia que vocês quiserem mudar algo ou saírem, não vai ter problema de nada, somos amigos!” a saída? Eu sou um dos culpados disto. Um dia disse: porque vocês estão na Gospel Records ainda? .. Porque eles se submetiam ao distrato que sofriam, como bandinha, deveriam voar mais alto, independente ou indo para uma gravadora melhor; ficaram receosos, porque tinham o apoio de mídia da renascer e do apostolo, e temiam retaliação... Comentei sobre a MK Publicitá, e disse que o Marquinhos, um amigo de uma banda legal do RJ poderia dar uma força.. Eles ficaram na dúvida.. Eu liguei para o Maquinhos, comentei sobre e justamente quando o Catedral havia saído se abriu uma brecha para eles, o Marquinhos não acreditou que poderia ter esta oportunidade boa... Em fim, a negociação foi feita e o oficina G3 se transferiu para a MK, a condição é que eles não mais teriam mais direitos sobre os diretos das musicas e afins produzidos por eles na Gospel Records, este foi o trato.

Mukamatrix - Você saiu da Oficina justamente no começo do sucesso da banda. Você pode falar sobre os motivos dessa sua decisão?

Túlio Régis- Sim. Saí porque estava passando um momento muito difícil em minha vida pessoal (com minha ex noiva) e estava muito triste e chato mesmo, a banda passava por umas crises e em um ensaio o pessoal me pediu para ficar afastado da banda e me tratar e quando melhorasse poderia voltar.. Poxa disse: “agora que mais preciso do pessoal eles me tratam assim?” e um versículo me soou “PV17: 17”, vi que era a hora de sair, aconteceram muitas coisas durante a saída, e hoje somos muito amigos, menos o Valter e o Maradona.




Mukamatrix - Qual a melhor formação da oficina na sua opinião?

Túlio Régis- Eu gosto muito da formação do Manga, Juninho, Jean, Valter e Maradona, com o PG a banda ficou com uma cara de U2, particularmente a voz do PG foi a melhor que já teve no Oficina, o melhor batera foi o Lufe, o Juninho é um grande compositor e homem de Deus, o conheço pra dizer isto. Quanto à formação que foi a mais louca, extravagante e cara de pau, rssss.... Quem conheceu sabe do que estou falando... rss....





Mukamatrix - Depois de muito tempo no ostracismo, o Túlio Régis reaparece com um cd excelente. Por onde você andou esse tempo todo?

Túlio Régis- Ah, quando saí, me chamaram para desenvolver jovens para o louvor e adoração em uma grande denominação, tive duas bandas de evangelismo, estive ministrando em vários lugares e igrejas, no Brasil, EUA, América central... Vários intercâmbios com ministros de adoração pelo mundo (África, Europa...) e atualmente estamos ministrando o “Neopraise” e adoração apaixonada, procurando não fazer algo novo, mas algo certo.

Mukamatrix- O que mudou na sua vida e na sua concepção músico - espiritual nessa época? Sua forma de compor mudou? Suas letras hoje falam de quê?



Túlio Régis- Ah sim! Nas letras procurei ser mais interrogativo quanto aos códigos de linguagem e expressão no louvor, tipo: entender o “crentes”, percepção dos significados na música e composição literária, profundidade na simplicidade, adoração extravagante, o neo-praise é ser “leve para o vento” ; as letras são mais apaixonadas, falam mais de amor profundo pelo AMADO, é a manifestação do neo-praise.

Mukamatrix - Quais suas atuais influências? O que você está ouvindo nacional e internacional.

Túlio Régis - Rock irlandês, neo-rock americano, neo-punk e ... Beach rock.

Mukamatrix-Fale um pouco de todo processo de gravação do seu cd. Os caras da Oficina participaram, né?! Como foi a experiência?

Túlio Régis- Foi muito difícil, a square records não tinha profissionalismo e pessoas capacitadas para nos dar apoio no trabalho, o estúdio selah do Ministério Ipiranga e o pastor Daniel de oliveira IEQ/Taquaritinga-SP foram nossos companheiros verdadeiros na empreitada, verdadeiros amigos e cristãos. Quanto a gravação com o pessoal do Oficina foi demais: o Manga foi muito companheiro em participar do trabalho, e continua doido mesmo! Rs! O Juninho, o Duca e o Jean foram sensacionais, o Lufe é um sarro e um grande musico, o Jimmy hoje é o melhor guitarra que já conheci, fantástico e infelizmente o Valter e o Maradona não participaram por não estarem bem com Deus.


Mukamatrix-Como podemos fazer para comprar seu cd?

Túlio Régis - Me escrevam que indico onde comprar: tulioregis@hotmail.com , 11/9790-4005 ou 18/9724-1262.




Mukamatrix - Agora uma pergunta definitiva. Qual a influência do sapo na música gospel atual. (hahauhauhauah)


Túlio Régis - Eêê muka, você não existe mesmo cara...rss! , infelizmente muita gente tem torcido a cara para muita coisa boa, muitos ainda estranham adoração apaixonada, neo-praise, muita gente ainda não gosta de reggae e rock e só querem o que é “manso e suave” (rsss), mas o bicho continua pulando nos pântanos das igrejas ... Ainda! Rs! Um abraço! Túlio.

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